Porto Neblina por Dentro
Abstrak
a chuva incessante no mar no pátio no cachorro na janela no telhado um cheiro molhado o corpo todo três semanas sem parar de chover dorme-se acorda-se com o barulho da chuva os pingos duplicados arrasto o barco pelo mangue pelo rio do meio pelo meu braço esticado um peixe pousa arrasto o barco do seu interior encharcado restituo arrasto o barco caronte derrame subo o monte de dentro como todo fruto que aparece do mar encontro o que reluz sob a água mudança de cor dentro dos olhos são anos construindo a obra são anos de chuva e o motor que impulsiona é remo vento vapor explosão correnteza maré ondulação racha no fundo do oceano coração escuto desse fundo tromba d’água despeja a sentença “chuva no mar é desejo”* escapular giro os braços adormecidos arrasto o barco tomado pelas cavernas suspenso o barco um silêncio de nuvens me encontra na apreensão da queda sempre o medo que te acorda na hora certa arrasto o barco no alto uma balsa flutua suas toneladas na perna um enrosco de algas submerge a intenção carrego o barco coluna costela desejo navegar no canal de Bertioga algo despeja é a mão que constrói o verbo ... de quando eu colocava barcos de papel no canal 5 de todo antes que conforma a vida como do primeiro encontro com a baleia e a frase riscada na mureta do porto “chuva no mar é desejo”* assim como um canto olho todo barco que chora penso nos caminhos na floresta da serra do mar nas comunidades no barco construído na água nas indústrias no movimento portuário na política na poluição no urbanismo na vida e tudo volta à frase entalhada “chuva no mar é desejo” * frase do poeta Flávio Viegas desenho o projeto prevejo o cronograma arquiteto as equipes leme do barco e quilha Não durmo determino o local desisto encontro o lugar Empilho barco balsa e guindaste Empilho o mar. Maurício Adinolfi
Topik & Kata Kunci
Penulis (1)
Maurício Adinolfi
Akses Cepat
- Tahun Terbit
- 2025
- Sumber Database
- DOAJ
- DOI
- 10.48619/cap.v6i1.1016
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- Open Access ✓