NO PALCO DA HISTÓRIA, O GENERAL DAS MASSAS: A CONSTRUÇÃO DE UM INSULTO EM MEIO A TRAMOIAS POLÍTICAS, CORRESPONDÊNCIAS VAZADAS E O ESCÂNDALO DE UM LEVANTE RESTAURACIONISTA EM 1834
Abstrak
RESUMO Em 22 de junho de 1834 foi celebrado, no Teatro Nacional do Recife, o espetáculo A Rusga da Praia Grande ou o Quixotismo do General das Massas. Naquela ocasião, a atração fez parte de uma celebração ao presidente da província de Pernambuco, Manoel de Carvalho Paes de Andrade, que retornava do interior da província com vitória sobre insurretos conhecidos por cabanos, que ameaçavam a ordem imperial. A apresentação desta peça na capital pernambucana naquele momento teve um amplo significado político no Brasil do Período Regencial. O artigo analisa como o apelido que intitula o espetáculo foi criado para desprestigiar José Ignacio de Abreu e Lima, general da Colômbia bolivarista que retornou ao Brasil em 1832 defendendo a restauração de Pedro I ao trono do país. Para isso, abordo a circulação e os usos políticos do epíteto “General das Massas” entre alguns dos impressos periódicos no Rio de Janeiro e no Recife neste cenário das Regências, em meio ao vazamento das correspondências privadas de Abreu e Lima que, para escândalo da classe política fluminense e pernambucana, o colocavam como agente organizador de insurreições armadas próximas ao Rio de Janeiro e em Pernambuco, em articulação inclusive com os cabanos. Concluo apresentando como a referência de “General das Massas”, originalmente pensada para depreciar Abreu e Lima e utilizada posteriormente de forma positiva pela historiografia que abordou a sua trajetória política e intelectual, foi uma dentre tantas outras formas de insultos e provocações mobilizadas no calor das tensões políticas regenciais na década de 1830.
Topik & Kata Kunci
Penulis (1)
Paulo Montini de Assis Souza Júnior
Akses Cepat
- Tahun Terbit
- 2025
- Sumber Database
- DOAJ
- DOI
- 10.1590/2236-463339ed20230
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